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Espécies de Anatídeos cinegéticas em Portugal (da esquerda para a direita e do topo para baixo): - Pato-real Anas platyrhynchos, Frisada Anas strepera, Marrequinha Anas crecca, Pato-trombeteiro Anas clypeata, Piadeira Anas penelope, Arrabio Anas acuta, Marreco Anas querquedula, Zarro-comum Aythya ferina e Zarro-negrinha Aythya fuligula (apenas neste caso, a fotografia não é minha - retirada da internet há uns anos e já não sei qual o autor). Todas estas fotografias são de machos em plumagem nupcial - para o acasalamento. Existe outra plumagem - plumagem de eclipse - que os patos adquirem a seguir à época de reprodução e antes da "muda" (muda das penas primárias, as que asseguram a capacidade de voo - ficam cerca de 4 semanas sem poderem voar), pois têm que se camuflar dos predadores. A plumagem de eclipse dos machos é semelhante à das fêmeas, que têm geralmente uma plumagem acastanhada, mesmo com a plumagem nupcial.
Pato-real Anas platyrhynchos
Depois de eclodirem dos ovos, as crias dos patos ficam apenas umas horas no ninho. Quando saem atrás da progenitora nunca mais voltam ao ninho - são nidífugas. Por vezes percorrem Kilómetros até chegarem à água. O Pato-real é a espécie de pato mais abundante em Portugal como nidificante, e os resultados das nossas capturas mostram que é uma espécie basicamente residente.
A maior mortalidade das crias verifica-se nas primeiras 3 a 4 semanas de idade (as da foto têm cerca de 2 semanas). Começam a voar cerca das 7 semanas. Para garantir a viabilidade das populações desta espécie é fundamental existirem locais de reprodução seguros e com o mínimo de alimentação. Infelizmente as zonas húmidas naturais continuam a ser destruídas... Um outro habitat favorável para reprodução são as pisciculturas extensivas mas estas foram destruídas a um ritmo ainda mais acelerado do que as zonas húmidas naturais, desde a década de 90, com fundos comunitários... A contagem de ninhadas e a determinação da respectiva idade é um indicador do sucesso reprodutivo. Quem estiver interessado em colaborar nesta actividade agradeço que me contacte.
O Pato-real é a única espécie cujos machos têm penas caudais encaracoladas (apenas com a plumagem nupcial).
Ainda as caudais deste macho que está a secar as asas depois dum banho higiénico...
Os patos e algumas outras aves selvagens trocam as penas que lhes permitem voar (as rémiges primárias), todas ao mesmo tempo. Assim, ficam 4 semanas sem voar. É um período crítico do ciclo biológico destas espécies, pois no Verão não abundam zonas húmidas com tranquilidade, segurança e alimentação que lhes permitam sobreviver este período. Esta fêmea que se estava a espreguiçar mostra as penas primárias a crescerem - ainda não consegue voar...
Na época da "muda" os machos têm uma plumagem semelhante às fêmeas (plumagem de eclipse), para assim se poderem camuflar melhor e fugirem aos predadores. Neste período a melhor forma de distinguir os sexos é pela cor do bico: - nos machos é amarelo/esverdeado, nas fêmeas é castanho/alaranjado, com manchas escuras. A utilização de marcas nasais permitiu descobrir que as fêmeas sofrem maior mortalidade do que os machos durante a "muda" pois fazem-na mais tarde e mais de metade delas depois de 15 de Agosto (quando tradicionalmente começava a caça aos patos). Assim, temos insistido na recomendação da caça aos patos começar mais tarde e desde a época de 2005/2006 que a sua caça só começa no princípio de Setembro - idealmente só deveria começar no princípio de Outubro, como em Espanha - esperemos que se venha a verificar o mesmo em Portugal!
Frisada Anas strepera
É uma espécie de dimensões aparentes pouco menores do que o Pato-real, sendo a fêmea muito parecida com a dessa espécie. A fêmea de Frisada é mais facilmente distinguível da de Pato-real por ter o espelho branco (o espelho é a mancha colorida que os patos têm nas asas, especialmente visível quando estão em voo - nesta fotografia vê-se apenas o do macho, que também tem preto), e pelo bico que é escuro no meio/parte superior e tem 2 faixas laterais laranjas (uma de cada lado). A cabeça também tem uma silhueta diferente mas só com a experiência é que se nota essa característica.
As frisadas adultas são basicamente herbívoras, alimentando-se de vegetação aquática submersa. Como todos os patos do género Anas alimentam-se à superfície (são designados patos de superfície), quanto muito mergulham o pescoço e parte do corpo na água, como mostra a fêmea da foto de cima. Os Ingleses chamam a esta posição o "up-ending".
No entanto, quando a necessidade obriga ou a abundância de alimento no fundo é atractiva, também podem mergulhar para se alimentarem - em cima uma fêmea está a emergir dum mergulho, com vegetação no bico - no Inverno 2009/10 os níveis de água subiram muito e rapidamente em S. Jacinto, sendo que a vegetação submersa ficou fora do alcance da posição anterior. Os juvenis, como os de todas as outras espécies de patos, precisam de mais proteína logo comem mais invertebrados aquáticos.
As frisadas também se reproduzem em Portugal, em especial no Sul. No entanto, esta fotografia é de S. Jacinto, um dos locais de nidificação confirmada mais a Norte de Portugal.
Assim como se reproduzem em Portugal, também têm de fazer a "muda." Como nidifica mais tarde do que o Pato-real, também faz a "muda" mais tarde e ainda mais necessita do adiamento da abertura da caça aos patos.
Durante a "muda" os machos estão com a plumagem de eclipse e, nesta espécie, a cor do bico também muda, passando também a mostrar as 2 faixas laterais laranjas/amareladas. Neste período as fêmeas adultas têm o bico com mais pontos pretos. O espelho da asa também permite separar os sexos, sendo que os machos têm mais preto e castanho/cor de tijolo.
Em cima, para além do castanho do espelho, vê-se a parte inferior da asa.
A população que nidifica entre nós deverá ser residente, mas como as capturas desta espécie têm sido reduzidas, ainda não temos dados fiáveis. Esta fêmea voltou 2 Invernos consecutivos a S. Jacinto mas nunca foi observada no estrangeiro. Outros apenas estão em S. Jacinto durante a época reprodutora e depois desaparecem... A população invernante é muito superior à nidificante, mas mesmo assim é das espécies menos abundantes durante o Inverno.
Pato-de-bico-vermelho Netta rufina
Olhando para o bico percebe-se o porquê do nome comum da espécie. É a única espécie de pato, que regularmente existe em Portugal, que eu ainda não marquei. A razão é a de que esta espécie ocorre geralmente do Tejo para Sul e eu capturo e marco patos mais para Norte... Como se pode ver na imagem é uma espécie que se alimenta muito de vegetação submersa.
O aspecto da parte inferior das asas.
Um macho em plumagem de eclipse...
A imagem acima mostra a razão porque incluí esta espécie a seguir à Frisada: - é uma espécie que também nidifica em Portugal, desde a bacia do Tejo para Sul. Nidifica entre nós ainda em pequeno número, assim como é reduzida a população invernante e toda a população Europeia. São estas razões que levam a que esta espécie não seja cinegética em Portugal i.e. não se pode caçar. A progenitora é a que está alerta e as outras são 6 crias da sua ninhada de 7.
Para compensar a falta de qualidade da fotografia anterior (tirada a grande distância), esta mostra melhor a plumagem dum juvenil já voador. As fêmeas adultas têm a ponta do bico rosada/avermelhada, contrariamente a este jovem.
Se a espécie nidifica em Portugal também tem de fazer a "muda" entre nós. Pedi esta fotografia ao Faísca para mostrar esse facto: - é notória a falta das penas primárias (não se vêem as pontas das asas...), logo este macho está em "muda" e não consegue voar. Também esta espécie está condicionada por falta de locais apropriados para a realização da "muda".
É a espécie de pato mergulhador mais abundante na Europa e, durante o Inverno, em Portugal. Contudo a sua população tem vindo a decrescer, quer por alteração e destruição de habitat, quer devido ao Saturnismo no Sul da Europa. Juntamente com o Zarro-negrinha são designados patos mergulhadores i.e. geralmente mergulham para se alimentarem, contrariamente aos patos de superfície. O Pato-de-bico-vermelho também é considerado pato mergulhador mas pertence a um género diferente.
A imagem inicial ilustra a silhueta dos machos, mas como a qualidade não é a melhor, juntei mais estas 2 que ilustram a plumagem nupcial dos machos.
Nidifica em Portugal, desde a bacia do Tejo para Sul e especialmente no Algarve, mas em número mais reduzido do que o Pato-de-bico-vermelho. Na foto de cima está a plumagem estival dos machos, sendo que este está a mudar as penas primárias.
Um macho com plumagem estival mostrando as asas...
Uma fêmea adulta com uma cria de 3-4 semanas, no fim de Julho - esta espécie nidifica tardiamente. Assim também beneficiaria se a caça aos patos só começasse no principio de Outubro.
Uma fêmea jovem com 5-6 semanas, estando as penas primárias a crescer. Dentro de 1-2 semanas já conseguirá voar!
Pato-trombeteiro Anas clypeata
O nome comum desta espécie deriva do seu grande e largo bico. Tal resulta da espécie ser carnívora mas alimenta-se basicamente de invertebrados aquáticos.
Como esses animais são de pequena dimensão, o bico para além de ser grande e largo tem umas "barbelas" que permite a esta espécie filtrar a água de forma mais eficiente.
Para melhor capturarem as presas, geralmente alimentam-se em grupo, formando círculos que vão reduzindo de diâmetro e assim encurralam os invertebrados.
Existem alguns casais desta espécie que se reproduzem em Portugal, em especial no Sul. Desde 2007 que em S. Jacinto são detectados estes patos a realizarem muda das penas primárias. A fotografia de cima foi tirada no Verão de 2009 e mostra também um macho marcado no Inverno anterior que ficou no local acasalado com uma fêmea também marcada - suspeitamos que se terão reproduzido algures na Ria de Aveiro pois a fêmea foi observada com juvenis voadores, depois de um período em que não foi observada. A confirmar no futuro... De referir que mais de 20% das aves marcadas desta espécie foram observadas no estrangeiro para além de nos "brindarem" com alguns registos interessantes - ver curiosidades. Ambos os patos da imagem são machos - nesta espécie só os machos têm os olhos amarelos. Os machos adultos têm os bicos pretos no Inverno mas na época da muda o bico fica castanho.
A fotografia de cima mostra as penas da parte inferior das asas.
Os machos jovens desta espécie podem ficar com a plumagem nupcial completa apenas no fim do Inverno, pelo que é comum observar no Outono/Inverno machos a mudarem a plumagem de corpo, apresentando um aspecto estranho.
Marrequinha Anas crecca
Esta é a espécie mais abundante no Inverno em Portugal (por vezes mais de 25000). É a espécie de pato mais pequena da Europa mas é a mais rápida e com um voo mais ágil. A fotografia ilustra os 2 sexos, com a particularidade do macho do meio ser a forma Norte Americana desta espécie - há quem considere como espécie distinta Anas carolinensis e há também quem a considere apenas como uma subespécie. Apenas os machos com plumagem nupcial podem ser distinguidos: - a forma americana tem uma risca branca vertical no flanco (em vez da horizontal na europeia), assim como as riscas brancas na cabeça são menos marcadas. A carolinensis aparece todos os Invernos em S. Jacinto, tendo já sido observados 2 machos ao mesmo tempo por várias vezes. Também já capturámos e marcámos 2 machos desta espécie.
O macho da imagem de cima mostra a provável origem do nome comum da espécie. Também é visível o verde do espelho alar.
O espelho, para além de verde metálico, tem também branco e preto como mostra a foto acima que ilustra a reacção ao ataque dum Açor Accipiter gentilis na "pateira" da R.N. das Dunas de S. Jacinto.
A imagem de cima, salienta novamente a "marreca" dos machos e mostra a coloração das penas da parte inferior das asas. A imagem seguinte evidência a parte superior das asas.
De referir que esta espécie é migradora invernante, existindo apenas um registo de nidificação confirmada em Portugal.
É uma espécie herbívora como a Frisada, mas contrariamente a esta, "pasta" muitas vezes em terra - como se fosse um mini-ganso - a Frisada come mais vegetação submersa e flutuante. Espécie migradora invernante que, embora seja das mais abundantes no Inverno, tem uma distribuição concentrada em poucos locais: - Ria Formosa, Estuário do Sado, Estuário do Tejo e S. Jacinto. A imagem anterior mostra também como se pode distinguir a idade nos machos: - o mais a baixo tem um espelho cinzento, logo é jovem. O do meio tem o espelho branco puro, o que indica que é um adulto. A ave mais acima é uma fêmea. Como a Marrequinha, têm uma espécie Americana parecida - Anas americana, sendo que o macho distingue-se facilmente pelas cores e padrão da cabeça. A fêmea é mais difícil, mas também consegue-se distinguir da espécie Europeia (a penelope tem penas axilares cinzentas, que na americana são branco puro).
Aqui mostra-se um casal de Anas americana. Esta fotografia foi tirada ainda na época do filme e papel, a uma distância razoável, logo a qualidade reflecte-se. Abaixo junto uma imagem dum macho jovem.
De referir que, à semelhança do que se verifica com a Anas carolinensis, S. Jacinto é o local em Portugal onde é mais provável observar esta espécie. Esta imagem foi obtida em 20-12-08 e a do casal foi obtida num inverno em que estiveram presentes 4 machos e uma fêmea.
Das espécies menos abundantes no Inverno em Portugal, no entanto por vezes encontram-se em grandes concentrações, a caminho ou vindos de África - parte significativa da população Europeia inverna na África tropical. O seu nome comum deriva da sua longa cauda que, juntamente com a restante silhueta, o torna num dos patos mais elegantes.
Um casal em alerta!
Esta imagem ilustra a elegância da espécie, o padrão do espelho alar mas também uma situação que observo frequentemente - o segundo macho a contar da direita tem marca nasal que também se observa quando as aves estão em voo.
Acima vê-se a coloração das penas inferiores da asa assim como o comprimento das penas caudais.
Nesta observa-se uma fêmea com muitos pretendentes atrás, estando a exibir-se o mais à direita!
É a espécie menos comum em Portugal. Uma das razões deriva de ser um migrador de passagem pois passa o Inverno na África tropical. Em média, em Janeiro apenas é contado um indivíduo em todo o país, quase sempre macho... Na imagem de cima percebe-se porquê - as fêmeas são muito parecidas com as fêmeas de Marrequinha, existindo poucas pessoas em Portugal que as conseguem distinguir. As "marrecas" têm uma forma de cabeça um pouco diferente, bicos geralmente maiores e mais cinzentos, as riscas laterais na cabeça são mais marcadas, têm uma mancha clara junto à base do bico e não têm uma mancha clara por debaixo das penas caudais, embora nesta imagem seja evidente uma risca clara atipica.
Esta é uma das razões pela qual defendo que esta espécie cinegética deva poder ser caçada pois a proibição da sua caça coloca em risco de transgressão (e prisão!), todos os caçadores que vão caçar marrequinhas. A outra razão é que a população Europeia está estimada em 1000000 de aves e não é por não se caçar em Portugal que se vai alterar a tendência populacional desta espécie, que é caçada em toda a Europa e África. Na imagem de cima, a fêmea jovem de Marreco é a de cima.
Zarro-negrinha Aythya fuligula
Pedi esta excelente fotografia ao Romão Machado para ilustrar o macho em plumagem nupcial - é a única espécie de pato com um "penacho" na nuca. Por vezes as fêmeas também o têm mas é mais reduzido.
Nesta imagem, na parte superior está um macho jovem, ainda sem a plumagem nupcial, e na parte de baixo está uma fêmea - nesta espécie as fêmeas podem ter uma mancha branca na base do bico, por vezes bastante superior à fêmea da foto.
Estas fotografias, embora não muito nítidas, ilustram o espelho e as penas inferiores das asas. Apesar de ser a última espécie desta lista, é uma das mais interessantes - é pouco abundante em Portugal, logo também na Ria de Aveiro. No entanto, neste local, no fim do Inverno quase todos os indivíduos estão marcados... Embora não sejam muitos, mais de 50% são depois observados no estrangeiro. É uma espécie em forte regressão na Península Ibérica mas a principal razão deverá ser o aquecimento global - nos anos posteriores a serem marcados, muitos são observados no Inverno em países mais a Norte chegando ao extremo de num Inverno anterior ter sido observada uma fêmea na Islândia, em Janeiro!!!
Há aves aquáticas cinegéticas que muitas vezes são confundidas com patos mas na realidade não são e até pertencem a uma Ordem diferente: - em vez de pertencerem aos Anseriformes (como os patos), pertencem aos Gruiformes e à Família Rallidae. Distinguem-se dos patos por terem bicos de formato diferente, por não terem membranas interdigitais nas patas e não haver dimorfismo sexual evidente. Das espécies desta família existentes em Portugal, as mais comuns são cinegéticas: Galeirão Fulica atra e Galinha-d'água Gallinula chloropus. Para além destas há o Camão ou Caimão Porphyrio porphyrio, o Frango-d'água Rallus aquaticus e, nos últimos anos, por vezes também é observado o Galeirão-de-crista Fulica cristata, para além doutras espécies mais raras, que também não são cinegéticas.
Galeirão Fulica atra
É uma espécie basicamente herbívora e tem a particularidade de, frequentemente, mergulhar para se alimentar.
Contrariamente aos patos, ambos os sexos incubam os ovos. Os juvenis, nos primeiros dias de idade, são no mínimo estranhos.
A partir das 2 semanas ficam com um aspecto mais "normal" e ganham tons acinzentados. O da foto seguinte terá já 4 a 5 semanas e já estão a crescer as penas primárias.
Também, contrariamente aos patos, nesta espécie os progenitores alimentam os seus filhotes (mais uma fotografia cedida pelo Romão Machado).
Existe uma espécie semelhante mas que não é cinegética - Galeirão-de-crista Fulica cristata. Apenas nidifica no Sul de Espanha e Norte de África mas quase todos os anos é observada em Portugal. Os locais mais a Norte onde aparece são a Barrinha e Lagoa de Mira - o João Petronilho é quem a observa mais frequentemente nestas zonas húmidas, por isso pedi-lhe a "grande" imagem que se segue. Esta ave distingue-se facilmente do Galeirão pelas "cristas" vermelhas.
Galinha-d'água Gallinula chrolopus
De dimensão inferior ao Galeirão, também utiliza meios mais fechados e com mais vegetação. A imagem mostra um adulto durante o Inverno (repare na pata amarelo-esverdeada visível debaixo de água, com uma risca vermelha acima da articulação, e bico vermelho e amarelo).
No Verão as cores são menos vivas, especialmente no bico.
Os imaturos têm plumagem de tons acinzentados, tendo o bico cinzento escuro, e as patas também são acinzentadas, sem banda vermelha.
Nos primeiros dias de idade os juvenis não são muito menos estranhos de que os de galeirão e também são alimentados pelos progenitores.
Tanto os galeirões como as galinhas-d'água, que se reproduzem em Portugal, são residentes. No caso do Galeirão, no Inverno os números aumentam com indivíduos vindos do Norte da Europa mas também do Sul de Espanha. Quanto à Galinha-d'água, também recebemos migradores invernantes do Norte da Europa (há registos de aves caçadas em Portugal que foram anilhadas na Bélgica e na Dinamarca), mas deverão representar um valor relativamente reduzido.
Camão Porphyrio porphyrio
Também chamado de Caimão ou Galinha-sultana, esta espécie é maior do que o Galeirão e tem uma plumagem e cor de bico distintos, como de pode ver na imagem seguinte cedida Romão Machado.
Até há década de 90 esta espécie estava restrita apenas ao Algarve (uma das razões para não ser cinegética). Hoje em dia já há registos de reprodução até à Pateira de Fermentelos, perto de Aveiro. É herbívora como o Galeirão mas alimenta-se mais de vegetação emergente como as tabuas, bunhos e caniço. Há semelhança dos outros Ralídeos anteriores, também alimentam os juvenis como se pode ver em mais uma fotografia do Romão Machado.
"Pateira" da Reserva Natural das Dunas de S. Jacinto - a área nacional com maior densidade de patos por metro quadrado! É a principal zona de refúgio da Ria de Aveiro, tendo por vezes mais de 5000 patos em menos de 8 hectares. É a área em Portugal onde se consegue ver os patos de mais perto - a visitar de Agosto a principio de Março, em especial no Inverno - ir de manhã que é quando a luz está melhor.
O Paul do Taipal é a principal zona de refúgio dos patos do Baixo Mondego. Tem a particularidade de ser possível ter este ângulo de visão a partir da encosta a Leste. Há uma estrada alcatroada que saí da rotunda de Montemor-o-Velho, na estrada nacional (virar para norte, da direcção oposta ao castelo), e que passa ao lado dum observatório de acesso fácil e livre. A vegetação das ilhas e parte do cômoro, que rodeia a área intervencionada, é cortada todos os anos para melhorar as condições para as aves mas também para melhorar as condições de observação das aves, incluindo as aves marcadas. Na fotografia apenas se notam uns pontos na área cortada - são várias centenas de patos. Este "lago" foi aberto num projecto IED (PAMAF 4031), do qual fui um dos dinamizadores - o objectivo aqui foi melhorar as condições de acolhimento para os patos. Como esta acção de gestão/melhoria de habitat estava a precisar de continuação, no âmbito do projecto FFP/IFADAP.2006.09.001199.7, foi possível melhorar e aumentar a área intervencionada, sendo o aspecto resultante o que se encontra a seguir.
A visitar de manhã (melhor luz) ou ao escurecer (quando chegam as garças para o dormitório). Mais informações em http://www.avesdeportugal.info/sittaipal.html
O Estuário do Tejo é a zona húmida nacional mais importante para os patos e as outras aves aquáticas. A fotografia ilustra alguns dos grupos mais importantes: - patos, gansos e limícolas. É a única área nacional que tem Ganso-bravo Anser anser com regularidade no Inverno, sendo que por vezes tem mais de 3000. Para a observação de aves tem algumas limitações: - é muito grande e as aves andam geralmente muito longe; é preciso conhecer bem os locais mais interessantes e saber "jogar" com o efeito das marés. Mais informações sobre o local em http://www.avesdeportugal.info/sitestutejo.html
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A captura e marcação de patos faz parte do meu trabalho de investigação. Esta fotografia tirada em Dezembro de 2005 na R.N. das Dunas de S. Jacinto ilustra um dos resultados mais gratificantes: - o macho de Anas clypeata U5 vermelho e a fêmea A branca foram capturados no mesmo dia na época de 2004/05. Na mesma época foram observados acasalados, andando sempre juntos. Em Dezembro de 2005 voltaram ao local de captura, continuando acasalados...
... permaneceram todo o Inverno em S. Jacinto e voltaram em Dezembro de 2006 (foto de cima), continuando acasalados!!! No entanto, antes do fim de Janeiro de 2007, a clypeata A branca deixou de ser observada (terá sido caçada?), mas o macho continuou em S. Jacinto. Depois de umas semanas de celibato, o clypeata U5 vermelho foi de novo observado acasalado no princípio de Março, desta vez com a Pata-trombeteira G branca. Fico à espera que voltem no próximo Inverno... Na época de 2007/8 apenas foi observada em S. Jacinto a clypeata G. Será o fim desta história? Foi pois nunca mais foram observados... No entanto, para compensar, temos mais uma história interessante desta espécie:
A fêmea Xbranca foi marcada no Inverno de 2006/7. Depois foi observada no Outono de 2007 na migração para Sul, tendo sido observada na Bélgica, França, Espanha e retornou a S. Jacinto onde passou o Inverno. Em 2008 foi observada novamente na Bélgica na migração para Norte e novamente para Sul, tendo passado novamente o Inverno em S. Jacinto. Aí foi recapturada com um macho que marcámos e verificámos depois que estavam acasalados. No Outono de 2009, a fêmea foi novamente observada na Bélgica e em Espanha, mas sem sinal do macho AJAbranco por perto. O mais interessante é que a fêmea voltou a S. Jacinto mas no primeiro dia que a observámos já estava com o macho novamente e ambos passaram o Inverno 2009/10 no local! A fêmea foi novamente observada na Bélgica e em França, no Verão e Outono, e regressou novamente a S. Jacinto onde passou o Inverno 20010/11. O macho não voltou a ser observado...
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| Surgirão mais
no futuro... Actualizado em 11-05-11 |